Projetos Concluídos
Desde sua criação, o Instituto Fome Zero tem desenvolvido projetos voltados à produção de conhecimento, à formação de capacidades institucionais, à qualificação do debate público e ao fortalecimento de políticas capazes de assegurar o Direito Humano à Alimentação Adequada. Suas iniciativas articulam pesquisa aplicada, educação, cooperação técnica, mobilização social e difusão cultural, sempre orientadas pela busca de soluções consistentes para os desafios relacionados à fome, à insegurança alimentar e nutricional, às mudanças climáticas e ao desenvolvimento sustentável.
Os projetos apresentados a seguir refletem essa trajetória de atuação multidisciplinar. Reúnem estudos técnicos sobre segurança alimentar, agricultura familiar, agroecologia e clima; programas de formação destinados a gestores públicos, conselheiros e lideranças sociais; contribuições para o aperfeiçoamento de políticas municipais; pesquisas voltadas à compreensão das relações entre economia e alimentação; além de iniciativas culturais concebidas para ampliar a sensibilização da sociedade diante das múltiplas dimensões da fome.
Desenvolvidos em parceria com universidades, organizações da sociedade civil, organismos internacionais e instituições públicas, esses trabalhos produziram relatórios, publicações, cursos, seminários e materiais de referência que permanecem disponíveis como instrumentos de apoio à formulação de políticas públicas e à construção de sistemas alimentares mais inclusivos, resilientes e socialmente justos.
Em conjunto, essas realizações expressam o compromisso do Instituto Fome Zero com a geração e a disseminação de conhecimento qualificado, contribuindo para fortalecer capacidades locais, ampliar a participação social e apoiar estratégias voltadas à superação da fome e à promoção da dignidade humana em todo o território brasileiro.
O relatório Shaping Food Security Narratives: A Strategic Tool for Climate Action propõe uma abordagem inovadora para a compreensão da segurança alimentar, ampliando o debate para além das dimensões produtivas, logísticas e de acesso aos alimentos. A publicação examina a alimentação como um espaço onde se articulam percepções sociais, processos de tomada de decisão, disputas de sentido e respostas à crise climática.
Coordenado pela RUAF CIC, o estudo reuniu uma ampla rede internacional de instituições e especialistas. Na América do Sul, participaram o Instituto Fome Zero, o Instituto Comida do Amanhã e o Instituto Regenera. A iniciativa contou ainda com a contribuição do African Food Systems Transformation Collective, ligado à Fundação Africana para o Clima, da Global Alliance for Improved Nutrition e de consultores atuantes em diferentes regiões da Ásia.
A diversidade de experiências e contextos representados no projeto permitiu uma análise abrangente dos desafios contemporâneos relacionados à alimentação e ao clima. O relatório destaca que a construção das narrativas que orientam políticas públicas, investimentos e estratégias de desenvolvimento exerce influência direta sobre as soluções adotadas, evidenciando a importância de ampliar a pluralidade de perspectivas presentes no debate sobre os sistemas alimentares e seu futuro.
Em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e com o Grupo de Políticas Públicas da USP, o Instituto Fome Zero desenvolveu o estudo Agroecologia e sua Interface com as Políticas Públicas de Segurança Alimentar e Nutricional e com as Políticas de Mudança do Clima. O trabalho analisou a viabilidade e a relevância estratégica da agroecologia diante dos desafios contemporâneos do setor agrário brasileiro, com especial atenção às questões climáticas, à segurança alimentar e nutricional e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Constituída como campo científico e prático a partir do final da década de 1970, a agroecologia consolidou-se em resposta aos impactos ambientais, sociais, culturais e nutricionais associados aos modelos convencionais de produção agrícola. Sua proposta fundamenta-se na construção de sistemas produtivos integrados aos territórios, capazes de conservar e potencializar os recursos naturais locais, reduzir a dependência de insumos externos e ampliar a sustentabilidade econômica, social e ecológica da produção de alimentos.
O estudo teve como objetivo contribuir para o debate público sobre a retomada e o aperfeiçoamento das políticas voltadas à agroecologia, considerando sua capacidade de apoiar a adaptação da agricultura às mudanças climáticas, fortalecer a soberania e a segurança alimentar da população e ampliar as oportunidades de desenvolvimento da agricultura familiar.
A pesquisa foi elaborada a partir de ampla revisão da literatura técnica e científica, análise de legislações, programas e documentos públicos, realização de entrevistas com organizações da sociedade civil e instituições governamentais, além da incorporação de subsídios obtidos durante o 12º Congresso Brasileiro de Agroecologia. O documento final resultou de um processo contínuo de aperfeiçoamento, enriquecido por contribuições do corpo técnico do IFZ e do Grupo de Políticas Públicas da USP.
Como produtos do projeto, foram elaborados um Relatório Técnico e um Policy Brief, além da realização de um seminário de alto nível que reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fortalecendo o diálogo institucional em torno das políticas públicas relacionadas à agroecologia.
A evolução da segurança alimentar e nutricional no Brasil mantém estreita relação com o desempenho da economia, especialmente com a dinâmica da renda, do emprego e dos preços dos alimentos. Após um período de avanços, o país voltou a registrar crescimento da insegurança alimentar a partir de 2018, processo agravado pelos efeitos econômicos e sociais da pandemia.
As evidências reunidas pelos inquéritos VigiSAN indicam que as oscilações da renda das famílias exerceram influência direta sobre as condições de acesso à alimentação. Medidas de transferência de renda contribuíram para atenuar os impactos mais severos da crise, mas não foram suficientes para neutralizar os efeitos combinados do desemprego, da inflação e da perda do poder de compra observados entre 2019 e 2021.
A análise dos indicadores econômicos demonstra que a deterioração das condições de trabalho e o aumento do custo de vida estiveram associados ao avanço da insegurança alimentar. Entre os fatores examinados, o comportamento do emprego mostrou forte capacidade explicativa das variações observadas nos níveis de acesso aos alimentos.
Em 2023, a recuperação gradual da atividade econômica, a ampliação da ocupação e a valorização real do salário mínimo contribuíram para um cenário mais favorável. Ao mesmo tempo, a desaceleração dos preços dos alimentos proporcionou alívio adicional aos orçamentos familiares, ainda que os valores permanecessem acima dos patamares registrados antes da pandemia.
Com base em modelos estatísticos elaborados a partir de dados da PNAD Contínua do IBGE, o estudo desenvolvido por José Graziano da Silva, José Giacomo Baccarin, Mauro Delgrossi e João Pedro Magro projeta uma redução expressiva da insegurança alimentar no país. Reunidas em três artigos complementares, as análises oferecem subsídios relevantes para a compreensão das relações entre economia e alimentação, contribuindo para o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à garantia do direito humano à alimentação adequada.
Com o objetivo de contribuir para a construção de municípios mais justos, inclusivos e socialmente protegidos, o Instituto Fome Zero elaborou, para as eleições municipais de 2024, a cartilha Como acabar com a fome no seu município. A publicação reúne orientações e propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional, reconhecendo o papel estratégico dos governos locais na garantia do Direito Humano à Alimentação Adequada.
As administrações municipais ocupam posição privilegiada na identificação das necessidades da população e na implementação de ações capazes de ampliar o acesso à alimentação de qualidade. Nesse contexto, o processo eleitoral constitui uma oportunidade relevante para incorporar o enfrentamento da fome, da pobreza e das múltiplas formas de vulnerabilidade social entre as prioridades da gestão pública.
A cartilha apresenta instrumentos, programas e iniciativas que podem ser adaptados às diferentes realidades territoriais, oferecendo subsídios para a formulação de políticas integradas de promoção da segurança alimentar e nutricional. O material destaca a importância da articulação entre assistência social, saúde, educação, agricultura familiar, abastecimento e participação social, fortalecendo a capacidade dos municípios de responder aos desafios relacionados ao acesso regular e permanente aos alimentos.
Ao incentivar a centralidade da agenda alimentar nas políticas municipais, a publicação busca contribuir para a redução das desigualdades, para a proteção da população em situação de vulnerabilidade e para o avanço de estratégias capazes de apoiar o esforço nacional de superação da fome e de promoção da dignidade humana.
Realizado entre 18 de abril e 1º de junho de 2022, o curso Segurança Alimentar e Nutricional nos Municípios foi concebido para fortalecer capacidades técnicas e institucionais voltadas à formulação, implementação e aprimoramento de políticas públicas de Segurança Alimentar e Nutricional no âmbito municipal. A iniciativa buscou ampliar o conhecimento sobre os instrumentos disponíveis para a promoção do Direito Humano à Alimentação Adequada, contribuindo para a construção de sistemas alimentares mais justos, inclusivos e resilientes.
A programação foi estruturada em 14 encontros virtuais conduzidos por especialistas de referência nacional, combinando aprofundamento conceitual e aplicação prática. As seis primeiras aulas abordaram os fundamentos da Segurança Alimentar e Nutricional, seus marcos legais, institucionais e históricos. As oito aulas seguintes dedicaram-se à análise de experiências, programas e estratégias de gestão capazes de fortalecer as políticas locais, considerando as particularidades regionais e as diferentes realidades dos municípios brasileiros.
Cada encontro contou com exposição temática seguida de espaço para perguntas e debate, favorecendo a troca de experiências entre participantes de distintas áreas de atuação. Os materiais de apoio, incluindo textos de referência e apresentações, foram disponibilizados previamente, enquanto as gravações das aulas permaneceram acessíveis aos inscritos para consulta posterior.
O curso foi direcionado a gestores municipais, integrantes de conselhos de Segurança Alimentar e Nutricional, lideranças sociais, pesquisadores, estudantes e demais pessoas interessadas na agenda da alimentação adequada. Ao reunir conhecimento técnico, reflexão crítica e experiências concretas de gestão pública, a iniciativa contribuiu para qualificar a atuação de profissionais e instituições comprometidos com a superação da fome e a promoção da cidadania nos territórios.
Acesse aqui a playlist completa do Curso Segurança Alimentar e Nutricional nos Municípios em 2022
O concurso literário Crônicas da Fome foi concebido pelo Instituto Fome Zero como uma iniciativa que reuniu mobilização social, produção cultural e sensibilização pública em torno de um dos mais graves desafios enfrentados pelo Brasil. Realizado em um contexto marcado pelo agravamento da insegurança alimentar durante a pandemia de Covid-19, o projeto buscou ampliar a reflexão sobre os impactos humanos da fome por meio da literatura.
Dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional indicaram uma deterioração significativa das condições de acesso à alimentação no período, evidenciando a urgência de fortalecer ações voltadas à proteção social e à garantia do direito à alimentação adequada. Foi nesse cenário que o Instituto Fome Zero, criado para apoiar iniciativas de combate à fome e às diversas formas de má nutrição, promoveu sua primeira campanha de arrecadação de recursos associada ao incentivo à cultura.
A proposta partiu do reconhecimento de que a criação artística constitui um importante instrumento de compreensão da realidade social, capaz de dar visibilidade a experiências frequentemente invisibilizadas pelas estatísticas. O concurso convidou autores de diferentes origens a registrar, em forma de crônica, vivências, percepções e narrativas relacionadas ao avanço da fome e das vulnerabilidades sociais intensificadas pela crise sanitária.
A expressiva participação do público resultou em centenas de textos inscritos. Após avaliação realizada por comissão especializada, trinta crônicas foram selecionadas para compor uma publicação digital de acesso gratuito. O e-book reúne diferentes olhares sobre a realidade brasileira e preserva, por meio da escrita, testemunhos que contribuem para ampliar a consciência social sobre a fome, fortalecendo o compromisso coletivo com sua superação.