Com o consenso de 28 países, foi concluída a II Conferência Internacional de Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR+20)

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Comunicação da CIRARD+20, Cartagena de Indias, Distrito Turístico e Cultural | 28/02/2026

Baixe aqui o documento oficial em inglêsFinal Declaration of The Second International Conference on Agrarian Reform and Rural Development e em espanhol, Declaración Final de la Segunda Conferencia Internacional Sobre Reforma Agraria Y Desarrollo Rural

  • Países da Ásia, da África e da América Latina apresentaram candidaturas para sediar o próximo encontro, a realizar-se no prazo máximo de três anos.
  • No âmbito da cerimônia de encerramento, foi firmado o Pacto Nacional pela Implementação da Reforma Agrária e Aquícola Estrutural, Integral e Popular, subscrito por mulheres e homens do movimento social, que reconhece plenamente o Mandato das comunidades camponesas, dos Povos Indígenas e dos Povos Negros, Afrocolombianos, Raizales e Palenqueros, na transformação estrutural do país.

Com um documento final composto por 32 parágrafos, expressão do consenso alcançado entre 28 Estados, foi encerrada, na cidade de Cartagena, a Segunda Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Social (CIRADR+20). A declaração traça uma agenda de ação para o período vindouro, concebendo a reforma agrária como política de Estado dotada de visão estratégica, planejamento e projeção internacional, de modo que se afirme como fundamento de uma humanidade justa, resiliente e sustentável.

“Recebemos 56 Estados que, desde o primeiro momento, se dispuseram a construir consensos. Embora fosse possível redigir uma declaração marcada por diferentes perspectivas, hoje contamos com o melhor texto possível entre os Estados que se sentaram para pactuar acordos. Que a terceira, a quarta, a quinta e a sexta conferências internacionais sobre Reforma Agrária aprofundem as definições indispensáveis à transformação”, declarou a ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural, Martha Carvajalino.

A ministra das Relações Exteriores, Rosa Yolanda Villavicencio, por sua vez, destacou a amplitude e a diversidade da participação na CIRADR+20, bem como a densidade dos debates, e agradeceu o compromisso com a construção de um mundo mais justo para o campesinato, os povos indígenas e as comunidades afrodescendentes. Segundo afirmou, tal engajamento demonstra que o processo possui continuidade e respaldo político.

A ministra Carvajalino informou que há disposição, por parte de países da Ásia e da África, para sediar a próxima Conferência em prazo inferior a três anos. Essa perspectiva abre caminho para a criação de um mecanismo, a ser estruturado entre os Estados que aderiram à declaração, com o objetivo de deliberar sobre a escolha da futura sede. Reconheceu igualmente o papel desempenhado pelo México e propôs que o país latino-americano acolha a terceira edição do encontro.

Ao concluir, dirigiu palavras de reconhecimento aos participantes do fórum global, afirmando:

“Reconhecemo-nos entre os povos, defendemo-nos mutuamente e construímos o que hoje aqui testemunhamos: a unidade. A unidade do movimento agrário é a garantia de continuidade deste caminho. Permitam-me expressar a todas e todos o meu profundo agradecimento, admiração e reconhecimento. Vocês realizaram o encontro mais relevante do mundo em defesa da terra, afirmando que a Reforma Agrária é uma das mais decisivas revoluções do nosso tempo — uma revolução que coloca a vida no centro da esperança, uma revolução pela vida, porque é na vida que nos encontramos. Sob o clamor da paz, a Colômbia encerra esta Segunda Conferência Internacional de Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural e despede-se de todos vocês.”

Assinatura do Pacto Nacional

Ainda na jornada de encerramento, procedeu-se à assinatura do Pacto Nacional pela Implementação da Reforma Agrária e Aquícola Estrutural, Integral e Popular, subscrito por mulheres e homens dos movimentos sociais — indígenas, camponeses, raizales, afrodescendentes, palenqueros e populações vinculadas a territórios aquíferos — em conjunto com o Governo Nacional, representado pela ministra da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

O documento foi qualificado como marco de justiça histórica e política, por reafirmar a legitimidade das expressões populares e comunitárias que constroem vida e território em toda a Colômbia e por reconhecer integralmente o Mandato das comunidades camponesas, dos Povos Indígenas e dos Povos Negros, Afrocolombianos, Raizales e Palenqueros na transformação estrutural do país. Trata-se, em síntese, de um pacto fundante para a consolidação de uma Reforma Agrária e Aquícola Estrutural, Integral e Popular, orientada para a construção de uma Colômbia em paz, com democracia e justiça social, econômica e ambiental.

O legado da CIRADR+20

A Conferência reuniu 843 participantes internacionais provenientes de 102 países e 3.509 participantes nacionais oriundos de 359 municípios, consolidando-se como um dos mais amplos encontros globais dedicados à reforma agrária.

No Centro de Convenções de Cartagena foram realizados 60 eventos, com a participação de mais de 45 representantes internacionais — entre ministros, vice-ministros e outras autoridades. No mesmo espaço reuniram-se 40 porta-vozes nacionais, 20 organismos multilaterais e agências do sistema das Nações Unidas, além de 15 acadêmicos e especialistas. A mobilização foi expressiva, alcançando 6.800 inscrições acumuladas.

Paralelamente, desenvolveu-se uma agenda complementar composta por 130 atividades — entre painéis, fóruns e oficinas — com a participação de 60 palestrantes internacionais, distribuídas em seis espaços alternativos, além de duas exposições de arte.

A Zona Terra para Todos consolidou-se como o espaço aberto de maior impacto público e principal arena de participação cidadã, registrando 114.138 acessos entre 24 e 26 de fevereiro. Destacou-se a experiência “Da mesa às mãos”, que contou com a participação de aproximadamente 100 mil pessoas. Também integrou a programação uma robusta agenda cultural, com 28 concertos, rodas de conversa e atividades artísticas, reunindo 141 expositores e 72 produtores nacionais provenientes de 24 departamentos, ampliando a dimensão territorial e cultural da Conferência.

O evento igualmente proporcionou amplo espaço para a participação produtiva e para a dinamização da economia territorial por meio do Mercado Camponês, no qual convergiram 91 organizações de produtores camponeses, afrodescendentes e indígenas oriundos de 26 departamentos.

Ficou assim consignado que a Colômbia se despede da CIRADR+20 tendo projetado ao mundo a centralidade do ato de semear, a necessidade de fortalecer os sistemas agroalimentares, a transição para modelos de produção limpa, o avanço da agroecologia e o reconhecimento do protagonismo de mulheres e jovens que, no presente, voltam a erguer sua voz em defesa da terra.

Países signatários: África do Sul, Albânia, Alemanha, Armênia, Bolívia, Brasil, Camarões, Colômbia, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Espanha, Essuatíni, Índia, Indonésia, Japão, Kosovo, Líbano, Mauritânia, México, Nepal, Nigéria, Noruega, Países Baixos, Quênia, Tanzânia, Vietnã e Zâmbia.

Baixe aqui o documento oficial em inglêsFinal Declaration of The Second International Conference on Agrarian Reform and Rural Development e em espanhol, Declaración Final de la Segunda Conferencia Internacional Sobre Reforma Agraria Y Desarrollo Rural

Publicado originalmente Assessoria de Comunicação da CIRADR+20
https://www.minagricultura.gov.co/noticias/Paginas/Nos-juntamos-para-para-prepararnos-para-la-Segunda-Conferencia-Internacional-y-construir-el-Plan-Decenal-de-Reforma-Agraria.aspx