CAFÉ COADO #236

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Instituto Fome Zero | 04 a 11 de setembro

Acabamos de passar nosso cafezinho!

As previsões da FAO sobre o aumento da demanda mundial por alimentos até 2050 já são amplamente conhecidas. Em um horizonte mais curto, as projeções conjuntas da FAO e da OCDE para alimentos estratégicos indicam que, entre 2026 e 2035, o consumo global de trigo crescerá 7,7%; o de milho, 11,2%; o de arroz, 7,9%; o de soja, 8,9%; e o de carne bovina, 6,9%. Essas tendências são corroboradas por estimativas do Serviço de Pesquisa Econômica do USDA que, mesmo excluindo a Oceania e parte da América Latina (mas incluindo toda a América do Sul), sugerem que, entre 2025 e 2033, o consumo mundial de arroz crescerá 6,2%; o de carne bovina, 8,7%; o de trigo, 8%; e o de milho, expressivos 16,7%.

Para o Brasil, especificamente, a OCDE e a FAO projetam as seguintes variações de consumo entre 2026 e 2035: trigo, 3,5%; milho, 8,9%; arroz, –7,3%; soja, 12,8%; óleos vegetais, 12%; açúcar e melaço, –2,2%; carne bovina, –6,6%; e carne de frango, 5,7%.

Nesse contexto, o mundo enfrenta o desafio de garantir uma oferta agroalimentar capaz de acompanhar a trajetória da demanda. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento na agricultura não têm sido suficientes para manter o ritmo de crescimento da produtividade agrícola observado no passado. Segundo pesquisa da agência ERS/USDA sobre produtividade agrícola internacional, o índice de produtividade da agricultura mundial cresceu 16% entre 2009 e 2023, contra 28% no período de 1994 a 2008. No Brasil, esse mesmo índice cresceu 57% entre 1994 e 2008, mas apenas 28% entre 2009 e 2023.

Esse quadro sugere que as elevadas respostas produtivistas alcançadas pela agricultura como efeito da revolução verde não vêm se repetindo com as novas tecnologias. Caberia, no entanto, especular se essa perda de capacidade de resposta em produtividade não se deve, em parte significativa, aos impactos da crise climática — ainda que não haja, aqui, uma resposta científica para essa hipótese. O que é certo é que os efeitos da crise climática, tanto em sinistros de grandes proporções quanto na deterioração geral das condições adequadas à atividade agrícola, representam o maior dos desafios — já presente e ainda por vir — para a garantia da segurança alimentar no Brasil e no planeta.

No caso do Brasil, vive-se uma situação no mínimo inusitada. O atual terceiro mandato do governo Lula registra uma redução considerável da inflação da “alimentação no domicílio”, mas também explosões nos preços de alimentos sensíveis — o que neutraliza, para as famílias, a sensação de conforto que a estabilização média dos preços deveria proporcionar.

De todo modo, essa contenção relativa, mas significativa, dos preços dos alimentos é um fenômeno instigante. Afinal: o país segue em trajetória de queda do desemprego, cuja taxa atingiu o menor nível histórico, com o emprego com carteira assinada subindo de 33,7 milhões de pessoas no período Bolsonaro para 38,3 milhões, até 2025, segundo recortes utilizados pelo Ipea, a proporção de pessoas abaixo da linha da pobreza caiu da média de 14,2%, no período Bolsonaro, para 9,1%, na média do governo Lula — uma redução de 36%; o ganho real acumulado do salário mínimo saltou de 1,2%, no período Bolsonaro, para 12,5% em todo o governo Lula; o Brasil saiu novamente do Mapa da Fome; e o consumo per capita de alimentos tem aumentado no atual governo, ainda que acompanhado de redução na produção de alguns itens e de exportações excessivas de outros.

Diante desses fatores, que sugerem maior pressão da demanda por alimentos, como explicar a relativa estabilidade dos preços?

Para saber mais sobre o tema, baixe o estudo “Comentários sobre as Vulnerabilidades da Segurança Alimentar“ em nosso site


Destacamos ainda o artigo de Aline Mota e Thiago Lima sobre o aumento mundial do Gasto com Importação de Alimentos. No texto, os autores destacam que, em 2025, a soma global das importações de alimentos chegou a cerca de R$ 11 trilhões (USD 2.2 trilhões), uma alta de 7,9% em relação a 2024. Esse é o valor mais alto já registrado, batendo o recorde do ano anterior. Se pagar mais caro pela comida importada é um problema para muitos países, inclusive para o Brasil, que é grande produtor, imagina para aqueles que são dependentes de importações? Infelizmente, é comum que estes sejam os países mais pobres do mundo.

É importante destacar que o aumento não ocorreu porque todos os alimentos ficaram mais caros. Os custos de importação de cereais, açúcar e oleaginosas caíram, o que é positivo, por serem itens básicos no mundo todo. O crescimento esteve concentrado em determinados produtos de maior valor, especialmente café e cacau, produtos de origem animal, pescado, frutas e hortaliças. Esses são relevantes para garantir refeições diversificadas, garantindo proteínas, micronutrientes e vitaminas. O grupo formado por café, chá, cacau, especiarias e produtos relacionados teve o maior encarecimento, com aumento de 33,3% em 2025 em relação a 2024, respondendo por mais de um terço de todo o aumento registrado no GIA mundial. Logo atrás vieram frutas, legumes e hortaliças.

Leia o texto aqui


O QUE FOI NOTÍCIA NO BRASIL E NO MUNDO

FOME

A fome ainda é um grande desafio, assim como o crescimento da obesidade – Veja
Vídeo: Lula se emociona ao lembrar da fome e infância pobre durante discurso em Teresina – Piauí Hoje
Programa de governo de Flávio Bolsonaro ignora políticas sobre fome – MST
Raquel Lyra apresenta propostas para ampliar assistência social e combate à fome – Cenário 2026
“De barriga vazia, ninguém vive”, diz Patrus ao defender combate à fome em Minas. – O Tempo
Edital abre chamada para agroecologia, juventude e comunidades tradicionais – Canal Rural
“A melhor proteção contra a insegurança alimentar é a paz” – ONU
Instituto Fome Zero apresenta Carta Compromisso aos candidatos das eleições de 2026 – Administradores
Ultraprocessados dominam alimentação de até 84% das crianças e acendem alerta para obesidade – Jornal Opção

COMIDA E CLIMA

PL da agroecologia vira Lei Primavesi e é aprovado na Câmara – Poder 360
Agroecologia, justiça climática e resiliência hídrica são apresentadas por movimentos populares e órgãos públicos como estratégias de enfrentamento ao El Niño – Brasil de Fato
Eleições 2026: candidaturas serão chamadas a assumir compromissos com água, clima e agricultura familiar na Paraíba – Brasil de Fato
Prefeituras do sul da Bahia disputam projeto para melhorar alimentação escolar com alimentos agrícolas – Bra 1

COMIDA E CIDADE

Cuiabá define plano de ação para tirar pessoas da fome e garantir comida saudável pelos próximos 5 anos – Leia Agora
Presidente do TCE cria grupo para mapear a fome em Mato Grosso – Só Notícias
Mais de 70% dos municípios de MT ignoram adesão ao sistema de combate à fome – VGN Notícias
Feira da Reforma Agrária reúne cultura e produção em BH – Culturadorio
Custo da cesta básica registra queda em 25 capitais no mês de agosto – Gov

COMIDA E CULTURA

VÍDEO: “Brasil não pode voltar atrás”, diz Seu Jorge ao reforçar a luta contra fome – Piauí Hoje
“Não Existe Almoço Grátis” (2026): documentário para quem tem fome de justiça social – Jornal Nota
Número de idosos com fome cai no Brasil, mas desafio continua – Bra 1

INTERNACIONAL

EUA: Justiça autoriza ICE a alimentar à força imigrantes em greve de fome – Expresso
El Niño contribui para aumento de 55% na insegurança alimentar em Moçambique – Observador
Dois países decretam estado de emergência por causa do El Niño e alertam para falta de água e alimentos – Banda B
El Niño afeta pesca, lavouras e preços de alimentos na América Latina – Campos 24h