Blog do IFZ | 17/02/2025
A economia brasileira registrou um crescimento expressivo de 3,8% em 2024, superando amplamente as projeções iniciais do mercado financeiro, que no início do ano estimavam uma expansão de apenas 1,6%. O número, divulgado pelo Banco Central por meio do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), reflete a aceleração da atividade econômica em relação a 2023, quando o crescimento foi de 2,7%.
Esse desempenho surpreendente foi impulsionado principalmente pelo consumo das famílias, a recuperação da indústria e do setor de serviços, além do aumento na concessão de crédito. O mercado de trabalho também teve um impacto positivo no crescimento, com o desemprego atingindo um patamar historicamente baixo, fortalecendo a demanda interna e sustentando a economia ao longo do ano.

Setores que impulsionaram o crescimento
A atividade econômica se manteve aquecida ao longo de 2024 devido a fatores estruturais e conjunturais que impulsionaram a demanda interna. Entre os principais destaques estão:
- Consumo e crédito: O consumo das famílias registrou um forte crescimento, impulsionado pela ampliação do crédito e pelo aumento da renda disponível. O setor varejista, o mercado automotivo e a construção civil foram alguns dos beneficiados pela maior circulação de dinheiro na economia.
- Indústria e serviços: A indústria apresentou uma recuperação robusta, especialmente nos setores de transformação e construção civil. Já o setor de serviços, que representa uma parcela significativa do PIB, teve crescimento expressivo, puxado por segmentos como comércio, informações e comunicação, e serviços prestados às famílias. O turismo e a hospitalidade também registraram um desempenho positivo.
- Mercado de trabalho: O desemprego atingiu o menor patamar da década, refletindo o aumento da população ocupada e a ampliação da força de trabalho. Esse movimento ajudou a fortalecer o consumo interno e manter a economia em ritmo acelerado.
- Investimentos: A formação bruta de capital fixo, indicador que mede os investimentos na economia, registrou alta expressiva, impulsionando a capacidade produtiva do país. Projetos de infraestrutura, especialmente nos setores de transporte e energia, foram um dos destaques do ano.
- Agronegócio: O setor agrícola, apesar dos desafios climáticos, conseguiu manter um desempenho relativamente estável. As exportações do agronegócio bateram recordes, sustentadas pela valorização das commodities no mercado internacional.
Impacto da política econômica e do cenário externo
O crescimento econômico de 2024 ocorreu mesmo diante da manutenção da taxa básica de juros (Selic) em níveis elevados, adotada pelo Banco Central para conter a inflação. Embora a política monetária contracionista tenha restringido o crédito e encarecido os financiamentos, a demanda interna se mostrou resiliente, impulsionada pelo mercado de trabalho aquecido e pelo aumento da concessão de crédito.
No cenário externo, o Brasil se beneficiou da forte demanda internacional por commodities, especialmente da China e de outros mercados emergentes. O superávit comercial ajudou a manter as contas externas equilibradas, mesmo em um contexto de incertezas globais.
Perspectivas para 2025 e desafios no horizonte
Para 2025, a expectativa é de desaceleração do crescimento econômico. O mercado financeiro projeta uma expansão mais modesta, em torno de 2,01%, influenciada pela manutenção dos juros elevados e pelo cenário internacional incerto. A política econômica do governo dos Estados Unidos, incluindo possíveis ajustes na taxa de juros americana, pode impactar o fluxo de capitais para países emergentes como o Brasil.
Além disso, há preocupações com a trajetória fiscal do país. O governo busca equilibrar os gastos públicos sem comprometer investimentos essenciais, e medidas como a reforma tributária e novos programas sociais podem influenciar o desempenho econômico no próximo ano.
Sinal de alerta no final do ano
Apesar do crescimento sólido em 2024, o IBC-Br registrou uma queda de 0,7% em dezembro, a maior retração mensal desde maio de 2023. Esse recuo acendeu um sinal de alerta entre analistas, que veem a possibilidade de uma desaceleração mais acentuada no início de 2025. A queda pode estar relacionada aos efeitos da política monetária restritiva, que começa a impactar o consumo e os investimentos.
Embora a contração no último mês do ano sugira um arrefecimento da economia, especialistas destacam que o desempenho anual de 2024 foi robusto e indica uma trajetória positiva para o país. O resultado oficial do PIB, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado em março, mas a expectativa é de que confirme o crescimento expressivo registrado ao longo do ano.
O desafio para 2025 será manter o ritmo de crescimento em um ambiente de juros altos, incertezas fiscais e desafios externos. A continuidade das políticas de estímulo ao emprego e ao investimento será fundamental para sustentar a economia brasileira nos próximos meses.
Fontes: Banco Central, IBGE, Agência Brasil, G1 e Valor Econômico