Planejamento público e evidência técnica orientam nova etapa da Aliança Global contra a Fome

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Blog do IFZ | 06/03/2026

A instalação do escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), em Brasília, inaugura uma nova etapa da cooperação internacional voltada à redução da pobreza e da insegurança alimentar. A nova estrutura passa a funcionar como centro de articulação entre políticas públicas, financiamento internacional e produção de conhecimento aplicado às estratégias de desenvolvimento social.

Durante a cerimônia de inauguração, a secretária nacional de planejamento, Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula, destacou o papel do planejamento governamental na consolidação dessa agenda. Em sua intervenção, delineou os instrumentos que o Ministério do Planejamento e Orçamento vem mobilizando para sustentar a participação brasileira na iniciativa e fortalecer a capacidade do Estado de formular e executar políticas de combate à fome.

O escritório recém-instalado integra o chamado pilar do conhecimento da Aliança. A partir dele será organizada a denominada Cesta de Políticas Públicas, um repositório internacional de programas, estratégias e instrumentos de política social que demonstraram eficácia em diferentes contextos nacionais. A proposta consiste em reunir evidências e experiências acumuladas, permitindo que governos adaptem e ampliem iniciativas capazes de produzir resultados concretos na redução da pobreza e da insegurança alimentar.

Essa dimensão técnica integra-se ao próprio desenho institucional da Aliança, estruturado em três frentes complementares. O primeiro eixo corresponde ao compromisso nacional de cada país participante com o financiamento e a implementação de suas políticas sociais. O segundo mobiliza recursos de bancos multilaterais, agências de cooperação e instituições filantrópicas. O terceiro reúne análise, sistematização de evidências e apoio técnico à formulação de políticas públicas.

Ao enfatizar a centralidade do pilar nacional, a secretária observou que a cooperação internacional pode ampliar a capacidade de ação dos governos, mas não substitui a responsabilidade política e fiscal de cada país na condução de suas estratégias de desenvolvimento social.

No caso brasileiro, essa orientação encontra expressão nos instrumentos formais de planejamento público. O combate à fome e a redução das desigualdades constituem uma das prioridades do Plano Plurianual 2024–2027, documento que organiza as metas de médio prazo do governo federal e orienta a alocação de recursos no orçamento. Elaborado com participação social e alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o plano busca integrar planejamento, orçamento e avaliação de resultados.

A agenda projeta-se também em horizonte mais amplo. A secretária mencionou a elaboração da Estratégia Brasil 2050, iniciativa de planejamento nacional voltada à definição de metas estruturais para as próximas décadas. Entre seus objetivos estão a erradicação da pobreza e da fome, a redução das desigualdades socioeconômicas e a ampliação das oportunidades de desenvolvimento com equidade social.

O discurso situou essas iniciativas no contexto internacional contemporâneo, marcado por maior instabilidade econômica e menor previsibilidade nos fluxos de cooperação financeira. Nesse cenário, a coordenação entre instituições multilaterais e governos nacionais assume importância crescente, assim como a capacidade de direcionar recursos para programas com impacto comprovado.

A própria criação da Aliança responde a esse desafio. Lançada durante a presidência brasileira do G20, a iniciativa reúne países, organismos internacionais, bancos de desenvolvimento e organizações da sociedade civil em torno do objetivo de acelerar o cumprimento das metas globais de erradicação da fome e da pobreza.

Para que essa cooperação produza resultados consistentes, o fortalecimento institucional dos Estados foi apontado como elemento decisivo. Planejamento orçamentário, gestão de dados, sistemas de monitoramento e avaliação de políticas públicas compõem o conjunto de capacidades necessárias para assegurar continuidade e aperfeiçoamento das ações governamentais.

Nesse contexto, a escolha do Ipea como sede do escritório adquire significado particular. A instituição possui trajetória consolidada na análise de políticas públicas e na produção de evidências voltadas à formulação de estratégias governamentais. A presença do mecanismo da Aliança em seu interior busca assegurar que decisões e recomendações se apoiem em conhecimento técnico consistente e avaliação rigorosa.

Ao encerrar sua intervenção, a secretária sintetizou o horizonte de atuação da iniciativa. Planejamento público consistente, cooperação internacional articulada e políticas orientadas por evidências formam o tripé que sustenta a proposta. A criação do escritório em Brasília representa, assim, um passo adicional para transformar compromissos multilaterais em capacidade institucional e resultados tangíveis na vida da população.

Baixe aqui o discurso de Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula na Inauguração do Escritório do Escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza

Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula, Secretária Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, participa da inauguração do Escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, sediado no IPEA, em Brasília.
Virgínia de Ângelis Oliveira de Paula, Secretária Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento, participa da inauguração do Escritório do Mecanismo de Apoio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, sediado no IPEA, em Brasília.