CAFÉ COADO #243

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Instituto Fome Zero | 31 de outubro a 06 de novembro

Acabamos de passar nosso cafezinho!

O que também chega no prato é uma questão climática

Por Emiliano Graziano

Quando uma enchente destrói uma lavoura, o primeiro prejuízo aparece na conta do agricultor. Logo depois, aparece na feira, onde os alimentos frescos ficam mais caros, e na escola, onde a merenda depende de estradas transitáveis e entregas regulares.

Para uma família que já vivia com o orçamento apertado, a crise pode começar com a retirada de frutas e verduras do carrinho e terminar com menos refeições por dia. É assim que um choque climático se transforma em fome, mesmo num país que produz alimentos em abundância.

É por isso que, depois da COP30 em Belém, sigo para a COP31, em Antalya, com uma convicção renovada: o combate à fome e à má nutrição deve estar no centro da agenda climática. Um sistema alimentar é resiliente quando a comida saudável continua chegando à mesa, mesmo quando a colheita, a renda ou o abastecimento sofrem um choque.

A Proteção Social Antecipatória é um caminho para transformar essa ideia em política pública. Se já sabemos onde uma seca ou enchente pode causar perdas, podemos usar os alertas para acionar medidas antes que o pior aconteça. Uma transferência antecipada pode ajudar uma família a preservar seu orçamento para alimentação.

O apoio à agricultura familiar e o planejamento das compras para a merenda podem ajudar a manter o abastecimento. O que está em jogo é a capacidade de proteger, ao mesmo tempo, quem produz a comida e quem depende dela.

Isso exige olhar para o tipo de alimentação que queremos preservar durante uma crise. No Instituto Fome Zero, acompanhamos e contribuimos, com nosso diretor Walter Belik, com o projeto do Instituto Nacional de Combate à Fome (INCT) sobre a tripla monotonia sobre os sistemas alimentares.

A pouca diversidade no campo, na oferta de alimentos e no prato tende a se reforçar. A alimentação escolar mostra como mudar essa dinâmica. Quando o poder público compra frutas, verduras, legumes e feijões da agricultura familiar, melhora o cardápio e cria demanda para que os agricultores diversifiquem o que plantam, com práticas que cuidem do solo e da água.

Quanto mais queremos que os alimentos frescos cheguem à mesa, mais importa o que acontece entre a colheita e o consumo. Alimentos perdidos ou descartados carregam consigo a terra, a água e a energia usadas para produzi-los. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, as perdas e o desperdício de alimentos respondem por 8% a 10% das emissões globais de gases de efeito estufa. Investir em armazenamento, transporte e planejamento das compras ajuda a reduzir esse impacto e a fazer chegar mais alimentos nutritivos a quem precisa.

O SOFI 2026 mostra que a fome recuou no mundo, mas quase uma em cada três pessoas ainda não consegue pagar por uma dieta saudável. No Brasil, o Atlas Mundial da Obesidade 2026 estima que 16,6 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos viviam com sobrepeso ou obesidade em 2025. Cerca de 7 milhões viviam com obesidade. Esses números mostram por que a qualidade da alimentação precisa orientar as decisões sobre o que produzir, financiar e comprar.

Essa foi a pergunta que atravessou nossas conversas no início deste mês em Bruxelas e Londres: como fazer o financiamento climático chegar a tempo de proteger a alimentação das famílias? A próxima década do Acordo de Paris depende da capacidade de traduzir a cooperação em políticas e investimentos.

É essa cooperação que buscamos em Antalya e queremos levar adiante até a COP32, em Adis Abeba. Na agenda pós-2030, o ODS 2, Fome Zero, deve continuar como compromisso central, com o acesso a dietas saudáveis no centro das metas.

É pela capacidade de garantir esse acesso, inclusive quando a crise bate, que devemos julgar o êxito da adaptação climática.


O QUE FOI NOTÍCIA NO BRASIL E NO MUNDO

FOME

Lula acusa propaganda da Globo de mentir sobre a fome no Brasil – Brasil 247
Mudanças na merenda escolar podem reduzir em até 56% as emissões de gases de efeito estufa – USP
Governo do Brasil adotou estratégias que uniram economia e proteção social para combater a fome – Gov.br
Wellington Dias diz que “não há muro contra a fome” e defende pacto global. Vídeo – Metrópoles
Prestes a completar dois anos, Aliança Global lança plataforma da campanha “A Corrida até 2030” – Gov.br

COMIDA E CLIMA

Seca do El Niño pode agravar fome de 1,84 milhões de moçambicanos, diz ONG – Observador
COP31 – Brasil Apresenta “Mapa do Caminho” para Fim dos Fósseis e Proteção Florestal -Envolverde
Guia da LACLIMA explica os principais desafios dos 17 temas na mesa de negociação da COP 31 – Um só Planeta
O Agro e o clima: o que está em jogo na COP 31? – Midia Ninja

COMIDA E CIDADE

MPPE reforça combate à fome e articula parcerias para garantir o direito à alimentação adequada em Pernambuco – MPPE
Assembleia aprova proposta que amplia ações de combate à fome em MT – Ponto na Curva
Do Pix ao combate à fome: Brasília recebe palestras sobre inovação e integridade – EG News
Programas fornecem alimentação saudável para famílias em situação de vulnerabilidade – Agência Brasília

COMIDA E CULTURA

Protagonismo feminino no Agroecologia 2026 em Pelotas – Correio do Povo
BNDES e Petrobras destinam R$ 10 milhões para apoiar agroecologia no semiárido da Bahia – Globo Rural

INTERNACIONAL

Uma ação global para atenuar as disparidades regionais – Observatório Romano
“Centro de gravidade” em África. Fome afeta 7,8% da população mundial – RTP Notícias
Fome infantil quase duplica em Toronto e bancos alimentares registam mais de 4,1 milhões de visitas – Correio da Manhã Canadá
África procura soluções sustentáveis para combater a fome e reforçar a produção de mantimentos – Jornal de Angola