Instituto Fome Zero e Ação da Cidadania reafirmam compromisso histórico com o direito à alimentação adequada e saudável

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Encontro no Galpão da Cidadania reuniu representantes de diferentes gerações ligadas aos legados de Betinho, Josué de Castro e José Graziano da Silva em defesa de políticas permanentes de combate à fome

Blog do IFZ | 04/09/2026

Rio de Janeiro, setembro de 2026 – O Galpão da Cidadania, na Gamboa, no Rio de Janeiro, foi palco, nesta última quarta-feira, de um encontro que simboliza a continuidade de uma das mais importantes agendas sociais do Brasil: a luta pelo direito humano à alimentação adequada e saudável.

O diretor do Instituto Fome Zero (IFZ), Emiliano Graziano da Silva, e Ricardo de Castro visitaram o espaço e se reuniram com Daniel de Souza, presidente do Conselho da Ação da Cidadania. O encontro reafirmou a convergência entre as duas instituições na defesa de políticas públicas permanentes de combate à fome e à má nutrição e aproximou, de forma simbólica, novas gerações ligadas aos legados de José Graziano da Silva, Josué de Castro e Betinho, três referências fundamentais da luta pela segurança alimentar e nutricional no país.

Mais do que um encontro entre trajetórias e famílias, a visita reforçou a importância de unir conhecimento, formulação de políticas públicas e ação concreta nos territórios para enfrentar a fome e promover o direito à alimentação.

Um legado que continua vivo

Durante a visita, Emiliano Graziano da Silva destacou o papel do Galpão da Cidadania como um espaço que traduz, na prática, a mobilização iniciada por Betinho e sua capacidade de transformar a realidade.

“Esse lugar é um sonho que começou com o Betinho e hoje transforma não só o microambiente da região, mas transforma o mundo do combate à fome de uma maneira muito concreta e muito impactante. Eles têm banco de alimentos, horta, escolas e oficinas culturais acontecendo. Então todo aquele arcabouço do combate à fome, principalmente as ações emergenciais que a Ação da Cidadania faz tão bem, acontecem juntas.”

Para Emiliano, a aproximação entre o Instituto Fome Zero e a Ação da Cidadania pode fortalecer tanto a formulação quanto a implementação de políticas públicas.

“Um trabalho conjunto entre Instituto Fome Zero e a Ação da Cidadania é fundamental para que a gente continue com o combate à fome nesse Brasil. Do lado do Instituto Fome Zero, pensando, avaliando, ajudando a aprimorar, ajudando a implementar as políticas públicas e, do lado da Ação da Cidadania, essa demonstração com essa força, com essa qualidade de que é possível fazer e como é que as coisas acontecem na prática, no dia a dia.”

O Galpão da Cidadania reúne diferentes iniciativas voltadas ao enfrentamento da fome e à promoção da cidadania, como banco de alimentos, horta, escolas e oficinas culturais. O espaço representa, assim, a dimensão concreta de uma luta que começou com a mobilização social e que hoje também exige políticas públicas estruturantes.

O encontro também trouxe uma reflexão sobre os desafios que permanecem mesmo diante dos avanços alcançados pelo Brasil na área da segurança alimentar. O país voltou a ficar fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), mas, para os participantes, esse resultado não significa que a fome esteja erradicada.

“A gente está fazendo uma coisa que, a princípio, não seria necessária, que é combater a fome. Nosso maior sonho é que a gente não precise mais fazer campanhas, nem doar alimentos, que a fome não exista”, afirmou Daniel de Souza.

Para o presidente do Conselho da Ação da Cidadania, a saída do Mapa da Fome representa uma conquista importante, mas não encerra a luta.

“Enquanto ela existir, a gente está aqui, mais uma vez, mesmo fora do mapa da fome, entendendo que uma coisa é sair do mapa da fome e outra coisa é erradicar a fome. A gente nunca erradicou a fome, a gente está longe de erradicar a fome. Enquanto tiver fome, enquanto a gente viver esse problema da fome no país, a gente, na verdade, não pode parar.”

Daniel ressaltou ainda o caráter simbólico da aproximação entre as instituições e defendeu a união de esforços para enfrentar o problema.

“Eu acho que esse encontro foi simbólico nesse sentido. Vamos unir forças, unir lutas.”

Alimentação adequada e saudável como política de Estado

A convergência entre o Instituto Fome Zero e a Ação da Cidadania aponta para um desafio que vai além das ações emergenciais: consolidar a alimentação adequada e saudável como um direito e como uma política permanente de Estado.

Essa agenda envolve o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN), a participação social, a garantia de orçamento público e a articulação de políticas de proteção social, abastecimento, agricultura familiar, alimentação escolar, cozinhas solidárias e promoção de dietas saudáveis.

Nesse sentido, o combate à fome precisa caminhar lado a lado com a prevenção da má nutrição e com a construção de sistemas alimentares mais justos, saudáveis e sustentáveis.

A trajetória de Betinho, Josué de Castro e José Graziano da Silva permanece como referência para esse desafio. Em diferentes momentos e a partir de diferentes perspectivas, os três contribuíram para colocar a fome e o direito à alimentação no centro do debate público brasileiro e internacional.

Para Ricardo de Castro, a visita foi também uma oportunidade de conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela Ação da Cidadania e refletir sobre a atualidade da luta contra a fome.

“Esse espaço é maravilhoso, e oferece todo o cuidado necessário para atender milhares e milhares de pessoas na busca de alimento. Meu avô ficaria muito feliz de ver muitas pessoas trabalharem com essa questão da fome e em saber que esse ativismo é necessário e que se criou uma grande rede de ajuda.”

Ricardo também chamou atenção para a dimensão global do problema e para as desigualdades que permanecem mesmo em sociedades com elevado nível de riqueza.

“Por outro lado, ele certamente estaria triste pelo fato de saber que aquilo que ele previa há muito tempo, que haveria um dia que boa parte da humanidade estaria com fome. A gente está vivendo um momento onde o alimento está sendo trabalhado como arma e a gente tem ainda notícias que em vários lugares no mundo, mesmo naqueles muito ricos, a desigualdade permanece e por vezes está até aumentando. E isso deve ser combatido.”

O encontro no Galpão da Cidadania reforça, assim, uma mensagem central: a luta contra a fome não pode depender de ciclos eleitorais ou de ações pontuais. Ela exige continuidade, participação social, políticas públicas estruturantes e a união entre organizações da sociedade civil, governos, pesquisadores e diferentes setores da sociedade.

Ao aproximar diferentes gerações e instituições que carregam parte importante dessa história, Instituto Fome Zero e Ação da Cidadania reafirmam a disposição de seguir construindo, juntos, um Brasil em que o direito à alimentação adequada e saudável seja efetivamente garantido a todas as pessoas.