Novo Plano Safra amplia crédito, reduz juros e reforça a agricultura familiar com investimento recorde

  • Tempo de leitura:12 minutos de leitura

Governo destina R$ 97,3 bilhões para a safra 2026/2027 e amplia incentivos à produção de alimentos, à agroecologia, à mecanização e à inclusão produtiva

Blog do IFZ | 30/06/2026

O maior Plano Safra da Agricultura Familiar já lançado pelo governo federal destinará R$ 97,3 bilhões à safra 2026/2027, combinando crédito recorde, redução das taxas de juros e um amplo conjunto de políticas voltadas ao fortalecimento da produção de alimentos, da agroecologia, da inovação e do desenvolvimento rural. Anunciado nesta terça-feira (30), o programa amplia os recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e aprofunda a estratégia de fortalecimento da agricultura familiar iniciada em 2023.

Dos recursos anunciados, R$ 85,2 bilhões serão destinados ao Pronaf, principal instrumento de financiamento da agricultura familiar, enquanto R$ 12,1 bilhões financiarão programas de assistência técnica, seguro agrícola, compras públicas, garantia de renda e outras ações de apoio à produção. O volume de crédito representa um aumento de quase 9% em relação ao ciclo anterior.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o novo Plano Safra consolida uma trajetória de expansão das políticas públicas voltadas ao setor. Desde 2023, mais de R$ 225 bilhões foram destinados à agricultura familiar, beneficiando mais de dois milhões de agricultoras e agricultores em todas as regiões do país. Apenas entre julho de 2025 e maio de 2026 foram realizadas mais de dois milhões de operações de crédito, movimentando R$ 64,5 bilhões, com crescimento tanto no número de contratos quanto na distribuição regional dos financiamentos.

A prioridade do novo ciclo é ampliar a produção de alimentos destinados ao abastecimento da população brasileira. Para isso, o governo reduziu as taxas de juros das principais linhas de custeio do Pronaf. Os financiamentos para culturas como arroz, feijão, mandioca, frutas, hortaliças e leite passam a contar com juros de 2% ao ano, ante os 3% da safra anterior.

O incentivo torna-se ainda maior para agricultores que trabalham com produção orgânica, sistemas agroecológicos e produtos da sociobiodiversidade. Nessas modalidades, a taxa de custeio caiu para apenas 1% ao ano, reforçando a prioridade conferida à produção sustentável e à adaptação às mudanças climáticas.

O novo desenho do Pronaf combina essa redução dos juros com ampliação do volume de recursos. Serão R$ 40 bilhões destinados ao custeio e R$ 45,2 bilhões aos investimentos nas propriedades familiares, permitindo financiar desde a produção agrícola até melhorias em infraestrutura, mecanização e agregação de valor à produção.

As mudanças alcançam também as famílias de menor renda atendidas pelo Pronaf B. O limite de financiamento por unidade familiar aumentou de R$ 53 mil para R$ 74 mil, enquanto o teto de renda anual para enquadramento na modalidade passou de R$ 50 mil para R$ 60 mil. Permanecem as condições diferenciadas de financiamento, com juros de 0,5% ao ano, prazo de até três anos para pagamento — cinco anos nas operações destinadas à habitação — e desconto de até 40% para agricultores que mantiverem os pagamentos em dia.

As famílias assentadas da reforma agrária, povos indígenas e comunidades quilombolas também passam a contar com condições ampliadas de acesso ao crédito. O limite do Pronaf A sobe para R$ 55 mil, mantendo juros de 0,5% ao ano e bônus de adimplência de 40%, além do aumento dos recursos destinados à assistência técnica vinculada aos financiamentos.

A ampliação do crédito vem acompanhada de medidas voltadas a públicos específicos. As mulheres agricultoras passam a contar com juros menores nas operações de investimento do Pronaf Mulher, reduzidos de 3% para 2% ao ano, podendo contratar até R$ 100 mil. No microcrédito rural, poderão combinar os recursos destinados aos Quintais Produtivos com uma nova linha de custeio exclusiva, elevando o limite específico para R$ 28 mil. O governo também lançará uma chamada pública de assistência técnica para dez mil mulheres rurais, com investimento de R$ 50 milhões.

Os incentivos destinados à juventude rural seguem a mesma lógica. O limite de financiamento do Pronaf Jovem sobe de R$ 35 mil para R$ 50 mil e os juros caem para 2% ao ano. No Pronaf B, dois jovens pertencentes à mesma unidade familiar poderão acessar conjuntamente até R$ 16 mil, medida voltada a estimular a sucessão rural e ampliar as oportunidades de permanência das novas gerações no campo.

Ao mesmo tempo, o Plano Safra amplia investimentos que procuram melhorar as condições de vida das famílias agricultoras. Entre as novidades está a criação do Pronaf B Habitação, destinado a pequenas reformas residenciais e melhorias sanitárias, com financiamentos de até R$ 10 mil, juros de 0,5% ao ano e prazo de cinco anos para pagamento. Também foram reduzidos os juros das demais linhas de habitação rural.

A modernização das pequenas propriedades continua entre as prioridades do programa. Os juros para aquisição de máquinas agrícolas de pequeno porte caíram de 2,5% para 1,5% ao ano, enquanto o limite de financiamento foi ampliado para R$ 120 mil. Outros investimentos, como irrigação, armazenagem, infraestrutura para produção leiteira, pesca, aquicultura e conectividade no campo, passam a contar com juros de 2% ao ano.

A transição para sistemas produtivos sustentáveis também recebeu novos incentivos. O Pronaf Agroecologia reduziu seus juros para 2% ao ano e o Pronaf Bioeconomia ampliou de R$ 250 mil para R$ 450 mil o limite destinado a projetos ligados à silvicultura, aos sistemas agroflorestais e à conservação ambiental. Outra novidade é o programa Terra à Mesa – Garantia-Safra, que destinará mais de R$ 400 milhões para fortalecer a produção de alimentos e apoiar mais de 60 mil famílias do Semiárido por meio de ações de inclusão produtiva e adaptação climática.

Além da ampliação do crédito, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 foi acompanhado por um conjunto de iniciativas destinadas a fortalecer diferentes dimensões do desenvolvimento rural, articulando assistência técnica, inovação, regularização fundiária, organização produtiva e ampliação do acesso aos mercados.

Uma das principais medidas é o edital Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido, que destinará R$ 319,8 milhões para apoiar quase 50 mil famílias com ações de estruturação produtiva, assistência técnica e adaptação às mudanças climáticas. Na área da inovação, o programa Coopera Mais Brasil Tecnologia receberá R$ 220 milhões para financiar projetos desenvolvidos por empresas e instituições científicas voltados ao aumento da produtividade e à incorporação de novas tecnologias pela agricultura familiar.

Também foram anunciadas novas chamadas públicas de assistência técnica destinadas às mulheres rurais, aos agricultores acompanhados pelo Programa Dom Hélder Câmara e aos produtores que adotam sistemas agroecológicos, além da implantação de cinco mil novos Quintais Produtivos. Com essa nova etapa, o número de unidades apoiadas desde 2023 alcança cerca de 130 mil, reforçando a produção diversificada de alimentos e a autonomia econômica das mulheres no meio rural.

O conjunto de medidas inclui ainda editais para agricultura urbana e periurbana, projetos voltados às cadeias produtivas de plantas medicinais e da sociobioeconomia, investimentos comunitários em mecanização agrícola e a criação do Prêmio Jovem Geração Raiz da Agricultura Familiar, destinado a reconhecer experiências inovadoras desenvolvidas por jovens agricultores.

Na Amazônia Legal, o governo anunciou novos investimentos em agricultura regenerativa e na iniciativa Florestas e Comunidades: Amazônia Viva, voltada ao fortalecimento de organizações produtivas de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares. Também foram firmados convênios para ampliar o apoio à pesca artesanal e instituída a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira.

Outra frente de atuação busca aperfeiçoar a gestão territorial e facilitar o acesso às políticas públicas. Entre as novidades estão a criação da Política Nacional de Governança da Terra, do Programa Terras do Brasil e a atualização das ferramentas digitais voltadas à agricultura familiar, como o Simulador de Crédito do Pronaf e o aplicativo Meu Imóvel Rural. O governo também instituiu a Rede de Abastecimento Alimentar, destinada a ampliar a oferta de alimentos, com prioridade para produtos da agricultura familiar, fortalecendo a articulação entre produção, comercialização e segurança alimentar.

Embora o crédito rural concentre a maior parte dos recursos, o Plano Safra incorpora um conjunto de instrumentos destinados a reduzir riscos e dar maior estabilidade à atividade agrícola. Dos R$ 97,3 bilhões anunciados, R$ 12,1 bilhões financiarão políticas complementares. Desse total, R$ 6,6 bilhões serão destinados ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), R$ 3,6 bilhões aos programas de compras públicas, entre eles o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), R$ 1,1 bilhão ao Garantia-Safra, R$ 749 milhões à assistência técnica e extensão rural e R$ 20 milhões ao Programa de Garantia do Preço Mínimo para Produtos da Sociobiodiversidade.

Essas iniciativas complementam a política de crédito ao oferecer mecanismos de proteção diante de perdas climáticas, ampliar as oportunidades de comercialização e fortalecer o acompanhamento técnico das famílias agricultoras, elementos considerados essenciais para aumentar a produtividade e reduzir a vulnerabilidade das pequenas propriedades.

O Plano Safra 2026/2027 aprofunda uma política que vem sendo reconstruída desde 2023. Nesse período, mais de R$ 225 bilhões foram destinados à agricultura familiar, ampliando o acesso ao financiamento e fortalecendo a participação de mulheres, jovens, assentados da reforma agrária, povos indígenas, comunidades quilombolas, pescadores artesanais e demais comunidades tradicionais nas políticas públicas voltadas ao setor.

Ao combinar investimento recorde, redução das taxas de juros e um conjunto abrangente de medidas voltadas à produção, à inovação, à assistência técnica, à adaptação climática e à inclusão produtiva, o novo Plano Safra reforça o papel estratégico da agricultura familiar para o abastecimento alimentar, a geração de renda e o desenvolvimento sustentável do país. Mais do que ampliar o volume de recursos disponíveis, o programa procura consolidar uma política pública orientada pela produção de alimentos, pela valorização do trabalho no campo e pela construção de sistemas agrícolas mais resilientes diante dos desafios econômicos e ambientais das próximas décadas.

Confira os 20 anúncios que acompanham o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027

Pacote de medidas amplia investimentos em assistência técnica, inovação, adaptação climática, inclusão produtiva, abastecimento alimentar e fortalecimento da agricultura familiar

Além das novas linhas de crédito do Plano Safra 2026/2027, o Governo Federal anunciou um conjunto de 20 medidas complementares voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar. As iniciativas abrangem investimentos em assistência técnica, adaptação às mudanças climáticas, pesquisa e inovação, reforma agrária, mecanização, pesca artesanal, agricultura urbana, regularização produtiva e ampliação do acesso aos mercados.

Adaptação climática e fortalecimento da produção

  1. Terra à Mesa Garantia-Safra Semiárido – Lançamento de edital da ANATER no valor de R$ 319,8 milhões, com recursos do Fundo Garantia-Safra, para promover a estruturação produtiva e a adaptação climática de 49,6 mil famílias no Semiárido.
  2. Agricultura regenerativa na Amazônia Legal – Assinatura de acordos de cooperação financeira para execução de 11 projetos, somando R$ 48 milhões, no âmbito do Programa Nacional de Florestas Produtivas.
  3. Florestas e Comunidades: Amazônia Viva – Divulgação dos projetos selecionados pela CONAB, com R$ 80 milhões do Fundo Amazônia destinados ao fortalecimento econômico e social de organizações de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares.

Assistência técnica e inclusão produtiva

  1. ATER Mulheres – Chamada pública da ANATER com investimento de R$ 50 milhões para atendimento de 10 mil mulheres rurais.
  2. ATER Programa Dom Hélder Câmara – Chamada pública de R$ 60 milhões para assistência técnica a 10 mil famílias.
  3. ATER Agroecologia – Edital da ANATER com R$ 50 milhões, beneficiando 4,1 mil famílias.
  4. Quintais Produtivos – Divulgação das entidades responsáveis pela implantação de 5 mil novos quintais produtivos, com investimento de R$ 50 milhões, elevando para 130 mil o número de unidades apoiadas desde 2023.
  5. Agricultura urbana e periurbana – Edital de R$ 20 milhões para projetos desenvolvidos por organizações da sociedade civil, beneficiando cerca de 5,4 mil agricultores.

Juventude, mulheres e desenvolvimento social

  1. Prêmio Jovem Geração Raiz da Agricultura Familiar – Premiação de 30 iniciativas coletivas lideradas por jovens rurais, totalizando R$ 300 mil.

Inovação, pesquisa e mecanização

  1. Coopera Mais Brasil Tecnologia – Aprovação de dois editais do FNDCT, totalizando R$ 220 milhões, para projetos de inovação tecnológica desenvolvidos por empresas e instituições científicas.
  2. Investimentos Comunitários – Edital de R$ 10,8 milhões destinado à seleção de 20 associações de beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário para aquisição compartilhada de máquinas e equipamentos agrícolas.

Sociobiodiversidade e plantas medicinais

  1. Projetos de plantas medicinais e sociobioeconomia – Edital de R$ 8 milhões para organizações da sociedade civil.
  2. Programa de Estruturação Produtiva de Plantas Medicinais, Aromáticas e Condimentares – Instituição de programa voltado ao fortalecimento das cadeias produtivas dessas culturas na agricultura familiar, com prioridade para sistemas agroecológicos e tradicionais.

Reforma agrária e pesca artesanal

  1. Projetos de Assentamento Agroextrativista Pesqueiro – Criação de cinco PAEXp em Santa Catarina, beneficiando 18,1 mil famílias.
  2. Fortalecimento da pesca artesanal – Convênio do Ministério da Pesca e Aquicultura no valor de R$ 7 milhões para projetos de geração de trabalho e renda destinados a 11 mil pescadores.
  3. Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Pesqueira – Instituição de política nacional voltada à oferta continuada de assistência técnica para a pesca artesanal.

Transformação digital e acesso às políticas públicas

  1. Simulador de Crédito do Pronaf – Lançamento de ferramenta digital que permite aos agricultores identificar, de forma simples, as linhas de crédito mais adequadas ao seu perfil.
  2. Meu Imóvel Rural – Inclusão das funcionalidades “Tô em dia”, “Fique em dia” e “Produção certa”, voltadas à regularidade ambiental e ao acesso ao crédito rural.

Segurança alimentar e abastecimento

  1. Rede de Abastecimento Alimentar – Instituição de rede que integra centros de distribuição, unidades de varejo e fornecedores, com prioridade para produtos da agricultura familiar, ampliando o acesso da população a alimentos básicos.
  2. Equipamentos de Segurança Alimentar no SISAN – Portaria conjunta do MDA, MDS e CONAB que incorpora esses equipamentos ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, fortalecendo as políticas públicas de abastecimento e o Direito Humano à Alimentação Adequada.

Baixe aqui a apresentação da Ministra Fernanda Machiaveli