Instituto Fome Zero apresenta Carta Compromisso aos candidatos das eleições de 2026

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Documento propõe seis diretrizes para manter o Brasil fora do Mapa da Fome e avançar na construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e resilientes

IFZ | 04/09/2026

O Instituto Fome Zero (IFZ) está convidando candidatos e candidatas às eleições de 2026 a assumirem um compromisso público com a alimentação saudável e sustentável para todos.

A Carta Compromisso parte de um cenário que combina avanços e desafios. Embora o Brasil tenha saído do Mapa da Fome da FAO, a insegurança alimentar ainda atinge de maneira desigual a população brasileira, com impactos desproporcionais sobre lares chefiados por mulheres, pessoas negras e pardas e regiões como a Amazônia e o Semiárido.

Ao lado da fome, o país também enfrenta o avanço do sobrepeso, da obesidade e de doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares. O documento chama atenção para a ampla disponibilidade de produtos ultraprocessados de baixo valor nutricional e defende políticas capazes de promover ambientes alimentares mais saudáveis.

Alimentação saudável também é uma questão de política fiscal

Para o Instituto Fome Zero, a Reforma Tributária deve ser utilizada como uma ferramenta para estimular escolhas alimentares mais saudáveis.

A Carta Compromisso defende a redução de impostos sobre alimentos saudáveis e a tributação de bebidas açucaradas e produtos ultraprocessados. O documento também propõe repensar a estrutura fiscal, extinguir isenções relacionadas a produtos nocivos e criar mecanismos de financiamento para a transição para sistemas alimentares saudáveis.

A proposta considera ainda as distorções existentes no sistema alimentar, que podem favorecer modelos de produção enquanto tornam alimentos como frutas, legumes e verduras mais caros.

Agricultura familiar e abastecimento local

Outro eixo da Carta é o fortalecimento dos sistemas locais de produção e abastecimento.

O IFZ defende a valorização da agricultura familiar e a ampliação de programas como o PNAE e o PAA, com uma diretriz de 45% de compras locais.

Além de contribuir para a oferta de alimentos frescos, o fortalecimento das compras públicas locais pode gerar renda, dinamizar economias territoriais e aproximar produção e consumo.

Segurança alimentar diante da crise climática

A alimentação também está diretamente relacionada à emergência climática. Eventos extremos podem comprometer a produção, o abastecimento e o acesso das populações aos alimentos.

Por isso, o Instituto Fome Zero propõe a criação e implementação de mecanismos de Proteção Social Antecipatória (PSA). A ideia é que benefícios possam ser acionados automaticamente a partir de sistemas de alerta precoce, permitindo proteger as populações antes que os desastres aconteçam.

A carta também propõe que o financiamento agrícola esteja associado a práticas sustentáveis e resilientes.

Seis diretrizes para os candidatos

A partir desses desafios, o Instituto Fome Zero apresenta seis compromissos que considera fundamentais para a agenda de Segurança Alimentar e Nutricional nos próximos anos:

1. Permanência fora do Mapa da Fome
Manter e aprimorar políticas permanentes e integradas de combate à insegurança alimentar.

2. Prevenção da obesidade
Tratar o sobrepeso como prioridade de saúde pública integrada ao SUS e apoiar iniciativas de restrição à propaganda e comercialização de produtos ultraprocessados.

3. Políticas fiscais saudáveis
Reduzir impostos sobre alimentos saudáveis e tributar bebidas açucaradas e ultraprocessados.

4. Fortalecimento da agricultura familiar
Ampliar o apoio aos pequenos produtores e as compras públicas locais.

5. Ação climática e Proteção Social Antecipatória
Implementar mecanismos de PSA e vincular o financiamento agrícola a práticas sustentáveis e resilientes.

6. Participação social
Garantir transparência e controle social na formulação das políticas públicas, independentemente dos ciclos eleitorais.

Um compromisso para além das eleições

A Carta Compromisso propõe que o período eleitoral seja uma oportunidade para transformar a experiência técnica acumulada pelo Brasil em compromissos públicos concretos.

Mais do que respostas pontuais, o Instituto defende políticas permanentes, integradas e capazes de articular justiça social, saúde, alimentação adequada e proteção climática.

A proposta é que os brasileiros também considerem, ao avaliar os candidatos, não apenas seu histórico de atuação em Segurança Alimentar e Nutricional, mas seu compromisso público com as diretrizes necessárias para garantir que o Brasil permaneça fora do Mapa da Fome e avance na construção de sistemas alimentares saudáveis e sustentáveis.

Por um Brasil justo com alimentação saudável e sustentável para todos.

Acesse aqui a Carta Compromisso: “Por um Brasil justo com alimentação saudável e sustentável para todos