Terceiro Mês Seguido de Queda nos Preços de Alimentos no Brasil, IPCA de Agosto de 2026

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Por José Giacomo Baccarin e Gustavo Jun Yakushiji | 14/09/2026

Baixe aqui o estudo “Terceiro Mês Seguido de Queda nos Preços de Alimentos no Brasil, IPCA de Agosto de 2026

1- Introdução

O recém anunciado IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do mês de agosto de 2026, mostra que a inflação acumulada nos primeiros oito meses deste ano, de 3,11%, ficou um pouco abaixo de igual período de 2025, quando foi de 3,15%. No grupo Alimentação e Bebidas, contudo, o registrado este ano, de 3,50%, continua mais alto que do ano passado, de 2,93%. A pergunta que pode ser feita é se nos próximos quatro meses de 2026, a Alimentação e Bebidas vai continuar pressionando o IPCA?

Uma projeção aritmética simples, baseada nas médias dos primeiros oito meses dos anos 2025 e 2026, não é suficiente para encontrar uma resposta mais adequada. É necessário enfrentar a sazonalidade dos preços dos alimentos entre os meses de determinado ano. Este é o primeiro objetivo deste texto, comparar as variações mensais do preço da alimentação nos dois últimos anos. Em complementação, propõe-se comparar a variação de preços dos itens da Alimentação no Domicílio, procurando apontar causas mais específicas da variação dos preços dos alimentos no Brasil

Como de praxe, nossa fonte básica de dados são as tabelas divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em relação ao IPCA e seus componentes (IBGE, 2026). Lembrando que o IPCA é composto por nove grupos, um deles o IPAB (Índice de Preços de Alimentação e Bebidas). Dois subgrupos fazem parte do IPAB, o IPAD (Índice de Preços da Alimentação no Domicílio), com peso próximo a 70%, e o IPAF (Índice de Preços da Alimentação Fora do Domicílio), com peso próximo a 30%. Ainda, o IPAD possui 16 itens.

2 – Variações Quadrimestrais dos Componentes da Alimentação

A Tabela 1 revela que o IPAF apresentou menores flutuações, ao longo dos quadrimestres, e registrou sempre valores acima do IPCA, com exceção do primeiro semestre de 2026. Por sua vez, o IPAD registrou variações expressivas de um quadrimestre para o outro, de 5,98% entre o primeiro e o segundo quadrimestre de 2025, por exemplo. Este subitem exerceu forte pressão altista sobre o IPAB e o IPCA, no primeiro quadrimestre dos dois anos, fato associado à maior dificuldade de produção de olerícolas no período. No segundo quadrimestre dos dois anos, o IPAD apresentou queda de preços, puxando para baixo o IPAB e o IPCA. Tal comportamento tende a se manifestar em todos os anos.

Tabela 1 Variação quadrimestral de componentes do IPCA, Brasil, janeiro de 2025 a agosto de 2026

Entretanto, convém destacar algo específico para 2026, que fica mais nítido com auxílio da Figura 1. Nos dois primeiros meses de 2026, o IPAD mostrou-se menor que em igual período de 2025, indicando uma perspectiva mais favorável para 2026. Contudo, isso se inverteu nos meses de março, abril e maio de 2026, quando, em função do conflito bélico do Estreito de Ormuz, houve maiores pressões sobre os preços das commodities minerais e vegetais, resultando em aumentos do IPAD acima de 1,5% em cada um dos meses. Entre julho e agosto de 2026, os valores do IPAD se aproximaram da situação vivida em 2025 e é possível que tal comportamento continue a ser verificado no último quadrimestre de 2026.

Figura 1 Variação mensal do IPAD, Brasil, janeiro de 2025 a agosto de 2026

3 – Preços do Itens da Alimentação no Domicílio

Há questões específicas nas cadeias agroalimentares que podem alterar a intensidade da variação dos preços de seus itens de um para outro ano. Na Tabela 2 percebe-se que quase 40% da variação do IPAD, em 2026, foram provenientes da elevação de 12,56% no preço dos Leites e Derivados, valor bastante superior ao constatado em 2025, de 2,16%. O item Carnes (com amplo predomínio da carne bovina) teve a segunda contribuição para o IPAD em 2026, de 33,32%; enquanto seus preços caíram nos primeiros oito meses de 2025, em 2026, eles aumentaram em 6,21%. Em Tubérculos, Raízes e Legumes, o aumento de preço foi bem mais intenso em 2026, levando esse item a responder por quase 25% da variação de preço da Alimentação no Domicílio. Outro destaque é o ocorrido em Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, em que uma redução de 17,26%, em 2025, foi substituída por um aumento de 8,01%, em 2026, devido ao encarecimento do preço do feijão neste ano.

Tabela 2 Variação de preços em 2025 e 2026 e contribuição em 2026 dos itens da Alimentação no Domicílio, Brasil, janeiro a agosto de 2025 e 2026

Quanto aos itens que contribuíram para conter o IPAD em 2026, um primeiro destaque é o Bebidas e Infusões, em que são registrados os preços do café e se percebe que o aumento de preços de 13,45%, em 2025, foi substituído por uma queda de 3,12%, em 2026. Na mesma direção e com menor intensidade, o preço de Aves e Ovos, passou de um aumento de 6,30%, em 2025, para uma queda de 3,40%, em 2026.

4 – Considerações Finais

É possível que 2026 termine com o grupo Alimentação e Bebidas contribuindo para conter o IPCA, assim como o verificado em 2023 e 2025. Primeiro, porque foi superado o grande aumento em seus preços observado entre março e maio de 2026. Segundo, porque os quatro itens que, este ano, mais contribuíram para o aumento de preços da Alimentação no Domicílio, têm revelado decréscimo ou suavização da elevação nos seus preços nos meses mais recentes em relação aos meses iniciais de 2026.

José Giacomo Baccarin é Professor Livre-Docente da Universidade Estadual Paulista (UNESP), nos campi de Jaboticabal e Rio Claro.

Gustavo Jun Yakushiji é doutorando em Estatística e Experimentação Agronômica pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), em Piracicaba


Baixe aqui o estudo “Terceiro Mês Seguido de Queda nos Preços de Alimentos no Brasil, IPCA de Agosto de 2026

Referências

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Rio de Janeiro: SIDRA, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/home/ipca/brasil. Acesso em: 12 de setembro de 2026.