Governo anuncia plano de R$ 1,3 bilhão para enfrentar os efeitos do El Niño

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Blog do IFZ | 29/07/2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comandou uma reunião ministerial dedicada à preparação do Brasil para os efeitos do El Niño, fenômeno climático que deverá ganhar intensidade a partir do segundo semestre de 2026. O encontro reuniu representantes de 24 ministérios e de instituições federais para apresentar o plano de prevenção e resposta elaborado pelo governo.

Na abertura, Lula ressaltou que o objetivo é preparar o país antes que os impactos se materializem. “O que é duro é quando acontece alguma coisa e ninguém está preparado”, afirmou. Segundo o presidente, embora ainda não seja possível prever a dimensão exata dos efeitos do fenômeno, cabe ao poder público garantir previamente equipes, equipamentos, alimentos, água e capacidade operacional para proteger a população.

A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, apresentou as projeções para cada região. No Norte, os principais riscos são a seca, a redução da vazão dos rios, os incêndios e o isolamento de comunidades. No Nordeste e no Centro-Oeste, há preocupação com o atraso das chuvas e os impactos sobre a produção agrícola. O Sudeste poderá enfrentar ondas de calor e incêndios, enquanto o Sul está sujeito a chuvas acima da média, enchentes e deslizamentos.

O governo anunciou um reforço orçamentário de aproximadamente R$ 1,3 bilhão para executar o plano. Segundo o governo federal, os recursos serão viabilizados a partir de uma folga identificada no orçamento dos ministérios.

Entre as principais medidas previstas estão:

  • compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz;
  • aquisição e distribuição de 350 mil cestas de alimentos;
  • reforço das ações de prevenção e combate a incêndios florestais;
  • destinação de recursos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para agricultores familiares da região Norte;
  • criação, no âmbito do SUS, de uma estrutura de Informação em Saúde e Clima;
  • ampliação do monitoramento do nível dos rios.

A formação de estoques públicos busca reduzir os efeitos de eventuais perdas agrícolas. A compra de arroz responde especialmente ao risco de quebra de safra no Rio Grande do Sul, enquanto o estoque de milho deverá ajudar a proteger a criação de animais, sobretudo no Semiárido nordestino.

Na área de segurança alimentar, além das 350 mil novas cestas, o governo antecipará o deslocamento de outras 160 mil unidades distribuídas regularmente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A intenção é posicionar os alimentos nas regiões vulneráveis antes que a redução da navegabilidade dos rios ou outros problemas logísticos dificultem o acesso às comunidades. Povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores e agricultores familiares estarão entre os grupos prioritários.

O plano também prevê R$ 13 milhões para a aquisição, por meio do PAA, de alimentos produzidos por agricultores familiares da região Norte. A medida combina dois objetivos: abastecer as ações de segurança alimentar e sustentar a renda dos produtores que poderão ser afetados pela estiagem e por dificuldades de escoamento.

No combate aos incêndios, o governo concentrará equipes, aeronaves e equipamentos nas áreas consideradas de maior risco. Também serão fortalecidas as ações preventivas em assentamentos rurais e ao longo de trechos críticos das rodovias federais.

Outra frente considerada decisiva será a articulação com os municípios. Os prefeitos serão procurados para conhecer o plano nacional e discutir a implementação das medidas de acordo com os riscos e as necessidades de cada região. Lula sugeriu a realização de uma teleconferência com os prefeitos de todo o país. Para o presidente, os governos municipais são indispensáveis porque conhecem as áreas de risco, as comunidades mais vulneráveis e os locais onde podem ocorrer incêndios, falta de água ou interrupção do abastecimento.