IPCA de Abril de 2026, Preço do Transporte Contido, da Alimentação Não

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Por José Giacomo Baccarin e Gustavo Jun Yakushiji | 16/05/2026

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1- Introdução

Como registrado em nosso boletim anterior, no mês de março de 2026, tanto o grupo Transportes quanto o Alimentação e Bebidas registraram aumentos expressivos, sob os impactos do conflito bélico EUA/Israel vs. Irã. Atualmente, Transportes tem participação de 20,61% e Alimentação e Bebidas, de 21,45% nos gastos dos consumidores brasileiros, restando 57,94% para os outros sete grupos de despesa considerados pelo IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Os dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), recém divulgados, revelam que, enquanto em março de 2026, sua variação mensal foi de 0,88%, em abril de 2026, ela foi menor, de 0,67%. Conseguiu-se conter a elevação dos preços dos combustíveis e, por consequência, do Grupo Transportes, de 1,64%, em março, para 0,06%, em abril de 2026. No grupo Alimentação e Bebidas, os respectivos valores foram 1,56% e 1,34%. Ou seja, houve queda, mas muito menos expressiva, exigindo que se continue monitorando seus preços, especificamente quanto aos seus determinantes associados ao custo agrícola e aos preços internacionais.

Se a ação pública federal mostrou efetividade em conter o preço interno do diesel, componente importante do custo da atividade agrícola, bem como do transporte de seus insumos e produtos, ainda permanece importante pressão advinda dos fertilizantes. Nesse caso, além do aumento expressivo de seu preço em relação ao da safra anterior, há risco de falta de produto para a safra 2026/27, a ser iniciada no mês de julho próximo.

Quanto aos preços internacionais, o Índice de Preços de Alimentos da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) revela uma trajetória altista nos primeiros quatro meses de 2026 superior ao verificado em igual período dos três anos anteriores (FAO, 2026). Em compensação, a tendência atual de valorização do real atenua a transferência de preços internacionais para os internos.

Comparando o primeiro quadrimestre de 2026 com o de 2025, a seguir analisa-se a variação de preço do grupo Alimentação e Bebidas e dos demais grupos que compõem o IPCA. Após, procura-se identificar entre os componentes da Alimentação e Bebidas os principais focos de aumento de preços. Como nos boletins anteriores, nossa fonte básica de dados são as tabelas divulgadas pelo IBGE em relação ao IPCA e seus componentes (IBGE, 2026).

2 – O Papel da Alimentação e Bebidas e dos Demais Grupos do IPCA

  A Tabela 1 revela que o IPCA no primeiro quadrimestre de 2026 foi ligeiramente superior ao do primeiro quadrimestre de 2025. Nos dois principais grupos, os preços de Alimentação e Bebidas variaram pouco menos neste ano do que no anterior, o contrário do que aconteceu no Transportes, em que a elevação de 2026 foi bem superior à de 2025.

Tabela 1 Variação de preços dos grupos do IPCA, primeiro quadrimestre, 2025 e 2026, Brasil

Nos demais sete grupos, em três as variações de preços em 2026 foram maiores que em 2025 e em quatro, menores, no geral, com diferenças pouco expressivas entre um e outro ano. Assim, pode-se dizer que o crescimento do IPCA, no primeiro quadrimestre de 2026, foi muito influenciado pelo que aconteceu no grupo Transportes, embora essa pressão tenha se reduzido em abril de 2026.

3 – Variações de Preços dos Componentes do IPCA

Se no primeiro quadrimestre de 2026, o IPAB (Índice de Preços de Alimentação e Bebidas) variou menos que no primeiro quadrimestre de 2025, é bom que se diga que apenas em março e abril, os valores de 2026 foram maiores que os de 2025. Ainda não se pode falar de mudança de tendência, mas deve-se aumentar a atenção às variações dos preços dos alimentos.

Em relação aos dois subgrupos da Alimentação e Bebidas, a Alimentação Fora do Domicílio tinha variado 2,74%, no primeiro quadrimestre de 2025, caindo para 2,11%, em igual período de 2026. No caso da Alimentação no Domicílio, os respectivos valores foram 4,06% e 3,95%, uma queda menos expressiva, portanto.

A Tabela 2 apresenta as variações de preços dos itens que compõem a Alimentação no Domicílio. Aqui cabe uma observação metodológica, o cálculo da contribuição dos itens para a variação do IPAD (Índice de Preços da Alimentação no Domicílio) foi feito com base nas suas participações no gasto do consumidor de janeiro de 2019, quando a POF 2017/18 foi usada pela primeira vez para os cálculos do IPCA.

Tabela 2 – Variação de preços e contribuição dos itens da Alimentação no Domicílio, primeiro quadrimestre de 2025 e de 2026, Brasil.

Tabela 2 Variação de preços e contribuição dos itens da Alimentação no Domicílio, primeiro quadrimestre de 2025 e de 2026, Brasil

Algumas situações chamam a atenção, como a de itens que deixaram de pressionar o IPAD entre 2025 e 2026, destacando-se Aves e Ovos e Bebidas e Infusões. No primeiro, os preços dos subitens frango inteiro e frango em pedaço apresentaram queda em 2026 e o preço de ovos mostrou aumento bem menos significativo em 2026 do que em 2025. No segundo, o subitem café moído, que havia aumentado 35,87%, nos quatro meses iniciais de 2025, registrou queda de 5,83%, em 2026.

Por outro lado, em alguns itens as pressões sobre os preços se elevaram de 2025 a 2026, destacando-se Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, Carnes e Leite e Derivados, que juntos contribuíram com 53,63% da elevação do IPAD no primeiro quadrimestre de 2026. No Cereais, Leguminosas e Oleaginosas, a mudança decorreu do registrado no feijão, com o preço do feijão carioca caindo 1,64%, no primeiro quadrimestre de 2025, e aumentando 32,56%, em igual período de 2026. Nas carnes, com amplo predomínio da bovina, os valores respectivos de 2025 e 2026 foram queda de 1,25% e aumento de 4,82% e no Leite e Derivados, aumentos de 3,05% e 8,65%.

Nas chamadas olerícolas, o item Frutas apresentou menor variação em 2026 do que em 2025, o contrário acontecendo com os itens Hortaliças e Verduras e Tubérculos, Raízes e Legumes. Este último foi o que mais contribuiu, em 35,10%, para o aumento do IPAD no começo de 2026.

Não se descarta que parte da variação do começo de 2026, como nas olerícolas, tenha caráter sazonal, tendendo a se amenizar entre maio e outubro. Também condições dos mercados específicos tendem a estar relacionadas com aumento ou diminuição dos preços entre 2025 e 2026, como as citadas acima.

Nesse sentido, torna-se difícil tentar isolar os efeitos do conflito bélico citado sobre os preços de alimentação. De qualquer forma, alguns produtos mereceriam melhor acompanhamento de seus preços e, se possível, adoção de políticas públicas para contenção de seus aumentos. Destacam-se três em especial, carne bovina, lácteos e feijão, sob a expectativa que no caso das olerícolas seus preços tendem a cair nos próximos meses, dada sua sazonalidade típica.

José Giacomo Baccarin é Professor Economia Rural e Política Agrícola UNESP, campus Jaboticabal (SP). Credenciado Pós-Graduação Geografia UNESP, campus Rio Claro (SP). Diretor Instituto Fome Zero. E-mail: [email protected]

Gustavo Jun Yakushiji é Engenheiro Agrônomo e Mestrando em Estatística e Experimentação Agronômica pela ESALQ/USP.


Referências

FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). FAO Food Price Index. Disponível em https://www.fao.org/worldfoodsituation/foodpricesindex/en/. Acesso em: 16 de maio de 2026.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. Rio de Janeiro: SIDRA, 2026. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/home/ipca/brasil. Acesso em: 16 maio 2026.


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